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A passarela teve início nas escadas do Itaú Cultural, assim que a música começou, as modelos desceram uma a uma os degraus até ficarem todas juntas para que pudessem começar o desfile – a cena foi impactante com todos os looks remodelados a partir das criações de Zuzu Angel. Com uma atmosfera intrigante, a trilha sonora foi bem diversificada e a passarela tornou-se palco para uma performance incrível!

A fim de representar a brasilidade, os primeiros looks tem vestidos com estampa de flores miúdas e até mesmo chapéus do cangaço. Daí em diante uma coleção de belíssimos longos pink, todos com estampas diferentes com motivos florais que se seguiu de looks em tons de branco, mude e off white ora franjados, ora com estampas divertidas e complementados com chapéus de aba longa.

Uma pausa para um cântico com o barulho de ondas quebrando na areia para que novas modelos descessem as escadas e o desfile pudesse recomeçar. Ou seja, a mesma formação de modelos avança até o final da passarela para dar lugar aos próximos looks bem mais sóbrios, vestidos pretos com modelagens amplas, rostos cobertos e casquetes nos cabelos em uma alusão à mudança de rumo do trabalho da estilista com o início de sua militância.

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Mais uma pausa, as modelos se abraçam e dá-se início à um diálogo sobre a angústia de Zuzu Angel durante o período da ditadura. A trama em torno das indagações da morte de seu filho emocionou a todos que estavam na platéia, arrancou algumas lágrimas contidas à medida que o diálogo se desenrola com a estilista em busca de seu filho que há apenas quatro meses havia começado uma coleção inspirada em flores e pássaros, mas que enlouqueceu e teve como tema a ditadura após a descoberta da morte de seu filho por ser julgado como subversivo.

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Eu não tenho coragem, coragem tinha meu filho, eu tenho legitimidade.” – com essa fala termina o diálogo inspirado na pioneira da moda e militante, Zuleika Angel Jones, e também marca o fim de um dos desfiles mais belos que assisti. A exposição foi aberta ao público, a curadoria estava impecável com um acervo das criações de Zuzu Angel que vai desde as roupas até os croquis e reportagens sobre a ditadura militar, vale a pena visitar!

Sabe quando comento que a moda vai além da estética e do consumo? É exatamente isso que quero dizer: a moda deve ir além, expor problemas políticos como o Manifesto da Cavalera no desfile do primeiro dia do SPFW e muitos outros movimentos. Finalmente a moda brasileira tem voz ativa para se engajar em questões que vão além dos desfiles, há algo muito mais profundo acontecendo.

Você também se emocionou do desfile da Zuzu Angel?

Fotos: Fashion Frisson

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